Sabe aquela sensação de: "puts... ganhei na loteria e perdi o bilhete". Então... é assim que me sinto hoje quando lembro do meu encontro com José Macia, o Pepe, em 2006.Estava cursando a disciplina radiojornalismo e precisava fazer uma matéria para o nosso primeiro jornal. Soube então que o ex-jogador Pepe estaria lançando seu livro, Bombas de Alegria, num restaurante lá perto da faculdade. Estava pronta a pauta que eu precisava.
Na época, ainda não pensava em pesquisar antes de sair para uma matéria. Era tudo muito experimental. Eu tinha uma vaga idéia do que fazer: "é só identificar o que? quando? onde? quando? e como?... e tá feito". Ilusões que se desfazem quando deixamos a sala de aula e vamos pra rua.
E assim, fui... Minha noção de Pepe era apenas de que foi jogador do Santos de Pelé e reserva em duas Copas. Percebi que se tratava de um personagem diferenciado quando cheguei no local e dei de cara com um pequeno grupo de apaixonados santistas. Comecei a entrevistar os torcedores que falavam do Pepe com um brilho nos olhos e uma felicidade que me marcou. Alguns paulistas que tinham acompanhado das arquibancadas exibições daquele Santos faziam questão de lembrar os chutes fantásticos que renderam a Pepe o apelido de Canhão da Vila.
Quando o jogador chegou, foi uma festa arrepiante. É bonito ver como um ídolo mexe com as pessoas. Eu me aproximei, fiz algumas perguntas óbivias e saí feliz da vida com as sonoras que tinha para minha matéria. E foi aí que vieram, talvez, os 20 minutos mais desperdiçados da minha vida.Já me preparava para ir embora quando o organizador do evento me convidou para acompanhá-los até um bar para assistir o Santos, que jogava naquela noite. Não pude recusar o convite e seguimos no carro eu, o cara e o Pepe. Com uma respiração forte e muito atento ao que se passava nas ruas, o Canhão da Vila falou pouco no trajeto. Comentou coisas sobre Brasília com o colega que dirigia e só. Eu me restringi apenas a ouvir a conversa. Confesso que estava mais preocupado em onde ia pegar o ônibus pra voltar pra casa. Fiquei mudo no banco de trás, checando se minha fita tinha mesmo gravado.
Logo que descemos no bar, um grupo enorme de torcedores cercaram o Pepe. Fotos, autógrafos, abraços... foi impossível voltar a me aproximar dele. No fim do primeiro tempo, catei minhas coisas e segui pra casa.

No dia seguinte, resolvi procurar saber um pouco mais sobre José Macia. Ah, se arrependimento matasse eu não estaria aqui para escrever essa história. Que vergonha! Como eu podia me dizer torcedor do São Paulo e desconhecer que Pepe era o nosso comandante naquele épico 3 x 3 do Brinco de Ouro em 1987? Absurdo!
Como eu queria poder voltar no tempo e perguntar para ele sobre o sofrimento das duas contusões que o deixaram no banco em 58 e 62 (o substituto? Zagallo). Como queria saber histórias daqueles confrontos memoráveis do Santos diante do Boca, do Benfica, do Milan. Como queria saber o que faz um jogador profissional passar a carreira inteira em apenas um clube (ainda vou perguntar isso pro RC um dia). Enfim... não consigo nem imaginar quanta coisa legal poderia ter aprendido se fosse menos ignorante.
Não tenho uma foto, um autógrafo, nem mesmo o livro do Pepe eu comprei naquele dia. A única coisa que sobrou de recordação foi a matéria a seguir, que muito mais que uma nota, meu deixou uma grande lição.
Poxa o que a falta de experiência não faz hein?
ResponderExcluirDeu mole bixo... sem dúvidas um bate-papo com o Pepe é tudo que um "louco por futebol" quer.
Ai aquela final histórica diante do Guarani foi em 86, o ano que você nasceu cara pálida.
Abrass
Pois é, cara...
ResponderExcluirEspero não cometer um erro desses novamente.
Como me arrependo. Puts...
Mas é isso aí... vivendo e aprendendo...
obs: Sobre a final do Brasileiro de 86, o jogo foi em fevereiro de 87.
Depois de uma breve pesquisa vi que realmente foi em 87.
ResponderExcluirQue viagem meu... mas era claro que vc iria fazer uma pesquisa minuciosa sobre o assunto. hehehe
Cara, vendo aqui, que time aquele o do Tricolor: Silas, Pita, Muller, Careca e Sidnei "Os Menudos do Morumbi" e ainda Dom Dario na zaga OH LOKO.
O Pepe não devia ter muitas dificuldades diante de um plantel desse hein.
Verdade... bons tempos, que não voltam mais. Hoje em dia temos que ver Richarlyson e outras aberrações. Realmente, com aquele time o Baresi seria o treinador revelação do campeonato. Hehe!
ResponderExcluirValeu!