Me assustei essa manhã quando, lendo uma matéria da ótima Revista ESPN, resolvi acessar o vídeo com a rotina de treinamento de uma garotinha casaque de apenas 12 anos que já é tratada como grande promessa do tênis mundial.
A própria matéria rotula a pequena Mariya Shishkina como a nova Sharapova. O que, imagino, possa até ser uma jogada de marketing da Under Armour, que, segundo a revista, mantém um contrato de US$350 mil por 5 anos com a menina e aposta nela para conquistar espaço entre os fãs da bolinha verde.
Ao ver o vídeo, fiquei abismado com a habilidade de Shishkina e, principalmente, com o físico da garotinha, que parece uma tenista profissional. Mais impressionado ainda fiquei com o fato de ela estudar com uma tutora em casa para não atrapalhar a rotina de treinos. Fico pensando: onde essa menina faz amigos? Será que tem tempo pra brincar?
"Um dia, quero que as pessoas digam que mudei a forma de jogar tênis, ou que eu era uma lenda, ou a número 1 por muito tempo, ou quebrei recordes. Significa muito quando as pessoas dizem que posso virar uma estrela", disse Shishkina à revista.
Pra mim, é normal um criança sonhar alto aos 12 anos. O problema é quando esses objetivos são colocados como obrigação. Mesmo que seja uma ótima tenista profissional, Shishkina corre sério risco se tornar uma pessoa frustrada se não alcançar o topo.
Acho deplorável esses pais, técnicos e empresários que transformam crianças em atletas profissionais. Acredito que antes dos 15, 16 anos, o esporte deve ser praticado apenas por prazer. O profissionalismo tem que ser uma consequência do talento e desse gosto pelo esporte.
Claro que há casos excepcionais como o da própria Sharapova, que foi tratada como profissional desde os 6 anos e se tornou estrela. Não sem pagar o preço com lesões e uma carreira cheia de altos e baixos. Mas quantas projetos de Sharapovas não foram abandonadas pelos patrocinadores no caminho depois de alguns resultados ruins ou alguma lesão séria? Isso, pra não falar no caso do futebol, que é uma máquina que tritura o Estatuto da Criança e do Adolescente todos os dias.
Pra mim, tem muito técnico e empresário que confunde a lapidação de uma jóia com a fabricação de uma pedra sintética. E no fim, quando é descoberta a "farsa", quem sofre é apenas ex-futuro-atleta, que sem estrutura emocional precisa voltar a viver como uma pessoa normal. Tomara que não seja o caso da pequena Shishkina.
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